2. Sua história psicossexual...

Eu pensava que o dia de hoje ainda era ontem...
Nossa história psicossexual é como uma caixa de pandora, onde residem nossos traumas. Algumas pessoas até se perdem em noites de insônia, envoltos em pesadelos infindos enraizados nesta área bendita. Outros se sentem culpados pelos fascínios efêmeros experimentados em amores escondidos e agora acabados. Facilmente ficamos enganchados nessa busca pela intimidade! Poucas dimensões da vida são tão vulneráveis como esta, pois as sensações psicossexuais sentidas são muito pessoais e profundas.

Nos momentos mais difíceis da vida podemos encontrar consolo nas nossas crenças, mas geralmente isso não acontece quando está em jogo a sexualidade. Isso é dramático! Provavelmente, e por causa das nossas crenças, muitas pessoas se auto-condenam ou ficaram traumatizadas pelos abusos ou experiências no campo sexual. Sejamos claros, não é Deus que reprova, mas o superego prepotente e internalizado que desaprova.

Como superar, pois, esses sentimentos negativos de rejeição e auto-condenação? Como cultivar o sentido de responsabilidade pessoal sem cair na baixa autoestima ou nos remorsos degradantes? Observar com reverência a própria história e situar-se objetivamente diante da própria vida, já é um bom início e ajuda. Há um nexo vital entre Deus e a vida, entre o sagrado e o humano que não pode ser desprezado. Precisamos superar o sentimento de ruína pessoal para sanar as feridas do corpo e da alma e entrar em comunhão fraterna com tudo e todos.

Cada um de nós carrega na sua história pessoal, outras muitas de ordem familiar, educacional, religiosa e emocional, englobando circunstâncias, acontecimentos e opções que nos fizeram chegar ao nível atual de consistência ou desintegração pessoal. Somos fruto de nossa história e, às vezes, não é fácil observá-la!

Refazer a nossa história quando entramos em contato com as lembranças dos fatos acontecidos. Lembranças do despertar físico e emocional, dos anseios e medos, dos sentimentos e desejos, até das dependências e frustrações, abrem passo para uma nova reciprocidade afetiva responsável e de maior intimidade. A história psicossexual tem a ver com a “contabilidade” emocional que fazemos dos relacionamentos vividos e nem sempre positivos. Nesta luta, muitos acabaram se machucando ao contabilizar mais derrotas do que vitórias. É o sentir ferido! 

Conhecimento pessoal e autoaceitação são fundamentais no caminho da integração. A história positiva ou negativa dos nossos relacionamentos exerce poderosa influência na autoestima. A valorização pessoal ajuda nos relacionamentos interpessoais.

A história psicossexual é também um “banco de lembranças” sentimentais que guarda o que sentimos naqueles acontecimentos experimentados. Saramos as feridas do passado conhecendo nossa história. E conhecendo nossa história vivemos melhor o presente!

A sexualidade, energia vital que envolve e aproxima, está muito próxima da essência do nosso ser. Ela dá forma à identidade de gênero e deixa transparecer algo daquela “imagem e semelhança de Deus”.

A história do próprio crescimento pessoal tem luzes e sombras que precisamos conhecer e até verbalizar sem receios. Dores escondidas e não superadas, temores ainda sem nome, sentimentos de culpabilidade ou vergonha provavelmente fazem parte dessa bagagem que precisa ser aberta e sempre acolhida. Tratar com reverência e carinho o próprio passado é fundamental. 

Refletir sobre a própria história é transitar por caminhos luminosos e pisar terra sagrada, onde Deus plantou o seu amor. Por vezes, até podemos nos deparar com o nosso lado tenebroso e encontrar aqueles monstros “fantasiosos”, alimentados e cultivados pela nossa fantasia. Se acolhermos com carinho e misericórdia o próprio passado os “fantasmas” da vida desaparecem e, no seu lugar veremos a Luz divina que desde o início nos habita. Cuidando do corpo você cura a alma!

Os primeiros encontros com a energia sexual têm a ver com o modo como nos criaram, alimentaram e trataram. Tudo isso impacta positiva ou negativamente o hoje da nossa vida. As “mensagens” verbalizadas ou não que chegaram dos nossos pais (ou daqueles que cuidaram de nós), dos companheiros de sala de aula, dos professores, etc., ficaram gravadas no inconsciente. Algumas dessas “mensagens” foram claras e explícitas (palavras, gestos, atitudes...) e as recordamos, outras, provavelmente esquecemos e até ocultamos, mas elas repercutem ainda hoje na qualidade dos nossos relacionamentos.

Todos queremos uma melhor integração. Tudo conspiram para uma qualidade de vida. As cicatrizes corporais ou espirituais que carregamos são testemunhas da força e resistência do nosso ser. O caminho da integração é possível. Não podemos mudar o passado, mas sim curá-lo e crescer com pensamentos e atitudes que reafirmem o sentido e o valor da vida.

Permita-se um tempo para que lembranças da sua história aflorem livre e espontaneamente em você. Descreva-as e depois, se quiser, partilhe com alguém da sua confiança o mais significativo do que escreveu. Lembre: os relacionamentos atuais revelam de algum modo a luminosidade ou sombra do que um dia experimentamos.

Somos luz da Luz e filhos das estrelas!

Pergunto: Já experimentou momentos de “exílio” emocional? Que pessoas ou acontecimentos provocaram esse seu exílio?

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