3º Domingo do Advento: Travessia para a solidariedade...

Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem... (Lc 3,11)


Em meio às sombras e provocações que constituem o atual momento histórico, queremos, neste Tempo de Advento, dar vez à esperançano futuroda nossa vida. A esperançatem raízes na eternidade, mas ela se alimenta de pequenas coisas. Precisamos de um coração contemplativo para captar o “mistério”que nos envolve.

Num mundo de imensa injustiça social, a esperança se apresenta como uma força capaz de assumir nossa responsabilidade, para instaurar um mundo mais humanizador, abrindo-nos a um “mais além” que já está próximo, inventando e reinventando opções, sonhando com o “mais”e o “melhor”.Afinal, somos seres de “travessia”...

“Travessia”não apenas geográfica, mas “sair de si” para ir ao encontro do outro, e “passar”para o seu lugar, vendo o mundo a partir de sua perspectiva e não tanto da nossa. Não se trata de “dar coisas”, mas deixar-nos “afetar cordialmente”pela dor do outro.

Neste3º domingo do Advento, o apelo à mudança brota da voz de João Batista.Como responder? O quê devemos fazer?” O Batista enfatiza a necessidade de mudar a maneira de pensar e de agir:é preciso partilhar com os outros. Uma túnica sobrante abriga agora o corpo de um irmão.

Lucas apresenta a mensagem de João Batista a partir de uma perspectiva ética, que pode e deve aplicar-se a todos os povos. Deixa de lado os aspectos exclusivamente religiosos (confessionais) de sua mensagem e o condensa em um programa ético de deveres sociais, que se aplicam primeiramente a todos os homens e mulheres e logo a dois grupos especiais: os publicanos e os soldados.

É uma mensagem muito simples e que todos entendem. Não se trata de “matar” os publicanos e os soldados, mas de descobrir que também eles são humanos, iniciando a grande revolução da igualdade e partilha de bens. Para chegar a Jesus é preciso passar por João Batista.

João não faz alusão nenhuma à religião; o que ele pede a todos é melhorar a convivência humana pela libertação de apegos e avareza, para partilhar o que somos e temos. 
A sensibilidade solidária suscita um desejo novo que gera um horizonte de utopia e de esperança, e constrói um mundo mais justo e fraterno. A solidariedade é fonte de todas as qualidades espirituais: perdão, acolhida compassiva, tolerância, etc.
Asolidariedadepermeia e ressignifica toda a nossa existência. 

Os pobres têm um jeito de nos trazer de volta o essencialda vida. Eles são fonte de esperança e de autenticidade.Eles se tornam irmãos e nossosamigos.

Importa, pois, “re-inventar” asolidariedadecomo valor ético e como atitude permanente de vida. Na “nova comunidade” dos(as) seguidores(as) de Jesus, a partilhasubstitui a acumulação dos bens, palha seca palhaque o vento leva.

Vivemos a cultura da “palha”,que nos força permanecer na superficialidade, na aparência, e na exterioridade impedindo-nos perceber o trigode nossa interioridade.

O egonão ama ninguém além de si mesmo, e pode ser extraordinariamente cruel para com os outros. Aumentar os próprios celeiros não amplia o horizonte da vida. Não compartilhar é a maior pobreza do ser humano.


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