22º DTC: HUMILDADE é deslocar-se para o lugar do último... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

“Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14,11)

Jesus sempre se revelou muito livre, transitando por mesas de diferentes classes de pessoasNeste domingo encontramos Jesus participando de uma refeição, convidado por “um dos chefes dos fariseus”da região. Os convidados são amigos do anfitrião, fariseus de prestígio, doutores da lei, modelos de vivência religiosa para todo o povo. Jesus já era muito conhecido e discutido. Seguramente a intenção do convite era comprometê-lo diante dos convidados.

Jesus não se sente cômodo neste ambiente, pois sente falta dos pobres, deficientes e pecadores. 
Na Galileia, Jesus teve suas preferências e escolheu o seu “lugar”entre os pobres e necessitados.

Jesus, na sua vida e missão, sempre deu grande importância às refeiçõesem comum,mesas de partilha... Neste ambiente, o Reino se visibiliza e antecipa a refeição plena, preparada pelo Pai.
Reino de Deus,ao se fazer presente, desperta em nós a mística da mesaque alimenta uma vida que se faz doação, como o pão que é partilhado: a amizade, a convivência, a acolhida... 

Sentar-se à mesacom o outro é descobrir-se vivo, corpo pulsante, latente, carente. Mas é também descobrir um outro tipo de alimento, que só pode ser colhido na delicadeza da inter-relação, da comum-união com o outro. 

No texto do evangelho deste domingo, encontramos duas pequenas parábolas. Uma se refere aos convidados; outra diz respeito ao anfitrião. Jesus nos propõe uma maneira diferente de compreender as relações humanas.Ele quer deslocar comportamentos, para entrar na nova dinâmica do Reino. 

Na primeira imagem, Jesus parte de um modo de proceder generalizado (buscar os primeiros lugares) para apresentar uma visão diferente da humildade. Colocar-se no último lugar não como estratégia para conseguir maior admiração e honra. Jesus aconselha não buscar as honras e o prestígiodiante dos outros. A vanglória e a vaidade são contrárias à sua mensagem.

“sentar no último lugar” revela aos participantes da refeição um “novo ângulo”de ver as coisas: a partir da perspectiva de quem não está sentado à mesa.

Jesus convida a fazer um deslocamento, ocupar o lugar da pessoa que não participa da mesa. O quê se percebe a partir deste lugar? Olhar a refeição a partir de quem está no último lugar muda totalmente a perspectiva.

Você já fez essa experiência?Mudança de lugar, deslocamento para baixo em direção aos pequenos. Quem “desce”encontra-se com Jesus, pois quem acolhe um “pequeno” está acolhendo o próprio Jesus.

A segunda parábolaapresenta outro matiz. Antes de despedir-se, Jesus se dirige ao anfitrião não para agradecer-lhe o banquete, mas para sacudir sua consciência e convidá-lo a viver um estilo de vida mais humanoNão convides os teus amigos, nem os teusirmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos. Convida os pobres, aleijados, coxos e cegos... Jesus se esforça por humanizar a vida, rompendo esquemas de atuação respeitáveis, mas que, no fundo, estão indicando nossa resistência a construir esse mundo mais humano e fraterno, querido por Deus-Pai.

Normalmente vivemos instalados em um círculo de relações familiares, sociais, políticas ou religiosascom as quais nos ajudamos a cuidar de nossos interesses, deixando fora aqueles que nada podem trazer. Convidamos àqueles que, por sua vez, podem nos convidar.

Jesus não diz que fazemos mal quando convidamos os familiares e amigos para uma refeição. Ele quer dizer para ampliar esse pequeno círculo dos amigos. A atitude para com os amigos não é sinal do amor evangélico. O amorque Jesus nos pede precisa ir mais além do sentido comum, dos sentimentos ou do interesse pessoal. 

Entramos na dinâmica do Reino quando buscamos o bem dos outros sem esperar nada em troca. A gratuidadeé a marca do Reino.

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