24º DTC: O QUE ESTÁ PERDIDO EM MEU INTERIOR? (cf. Pe. A. Palaoro SJ)


 “Encontrei a minha ovelha perdida...”

As parábolas deste domingo, condensam toda a história de nossa salvação, pois elas contam a história do amor de Deus para com a humanidade. Estas parábolas devem ser incessantemente escutadas e contempladas por todos nós. Elas narram nossa vida, nossa história, nossos caminhos. São, na verdade, “parábolas dos perdidos”.

As três parábolas expressam dois temas vinculados entre si: a misericórdia e o perdão, e a alegria do encontro. Vivemos banhados pela misericórdia de Deus.

O Evangelho que Jesus proclama com palavras e ações é a Boa Nova da salvação para os perdidos. O que escandalizava os destinatários, não era a conduta dos pecadores, mas a conduta do próprio Jesus com relação a eles. O comportamento de Jesus é uma “parábola viva” do comportamento de Deus com os pecadores.

Os escribas e fariseus não suportavam que Jesus proclamasse o Deus que acolhe a todos, e tem um carinho especial pelos perdidos. Esse Deus “desconcertante” e “escandaloso” era totalmente incompatível com o “legalismo” dos escribas e fariseus.

As três parábolas revelam um Deus cheio de ternura e que vai ao encontro dos perdidos, libertando-os do seu isolamento, e que exulta de alegria ao reencontrá-los.

As parábolas permitem também fazer uma leitura em “chave de interioridade”: o que está perdido, rejeitado, escondido dentro de mim”?
O restaurador de obras de arte não volta a pintar de novo a obra em questão. Nem sequer refazê-la com outras cores. Ele limpa com delicadeza e paciência cada detalhe com a única pretensão de trazer de novo à luz o mais original da obra. Isto é o que Deus faz conosco, através de sua misericórdia. Deus age para que venha à luz o mais original que há em nós. Somos filhos(as) de um Deus que é todo bondade e amor.

O que considerávamos “perdido” (fragilidades, feridas, fracassos, crises...) tem algo a nos revelar. Nada deve ser rejeitado, mas acolhido na nossa história de vida. Acolher e integrar tudo o que é humano é a condição para a verdadeira experiência de Deus.

O encontro com o que está perdido é uma oportunidade para nos lançarmos nos braços de Deus. Ele nos procura através de nossos fracassos, de nossas feridas, de nossas limitações...

O caminho para a integração e alegria interior passa pela acolhida de aquilo que foi rejeitado, reprimido e excluído dentro de nós. Lucas nos mostra que é exatamente em nossas feridas onde Deus encontra mais facilidade para entrar em nossas vidas e reconstruir nossa identidade verdadeira. Lá onde fomos feridos e quebramos, aí sentimos mais o amor de Deus.

O que Deus deseja nos revelar por meio daquilo que está “perdido” em nós? Seu AMOR!


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