3º DTC: COM AS PERIFERIAS NO CORAÇÃO... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Jesus deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia... (Mt 4, 13)

Galileia foi a primeira decisão importante de Jesus no início de sua vida pública. Ele começa sua atividade longe da Judeia, de Jerusalém, do Templo, e das autoridades religiosas...

Na Galileia, Jesus encontrou o seu lugar: junto ao lago, nas estradas poeirentas, nas margens... Lugar sagrado que nasceu do seu coração; lugar entre os pobres e excluídos revelando a presença do Pai.

Seu ensinamento, cheio de “autoridade”, introduziu uma perspectiva nunca ouvida antes, e apresentou uma alternativa que as pessoas entendiam como revelação do Pai aos pequeninos. A partir das periferias, surgiu um canto de vida nova, e uma sabedoria oculta aos sábios

Jesus descentralizou o mundo a partir da periferia. Em Jesus, Deus se fez homem, e também “margem”. Belém Calvário são os dois extremos periféricos – início e fim – de toda uma vida, despojada e pobre.

Todos tinham os olhos voltados para Templo de Jerusalém, onde era elaborado o saber que se expandia até chegar à menor das sinagogas. No entanto, em Jesus, o Reino de Deus movimentou-se em direção contrária: subiu, a partir da periferia, para o centro. E nesse sentido, a vida dele foi `ex-cêntrica´, pois não combinava com o que se dizia no centro.

No entanto, Jesus foi o `centro´ da história, e a descentralizou, provocando um deslocamento geográfico-social-religioso. O centro da história já não se encontra mais em Roma, nem em Jerusalém, e sim nas `margens´.

Tendo Jesus se encarnado nas `periferias´ do mundo, também nós, seus seguidores(as), dirigimos o nosso olhar para as `novas periferias´, onde Ele continua nos questionando. E cada passo dado na direção das periferias é um passo em busca do encontro com o Senhor da história. “O discípulo-missionário é um des-centrado: o centro é Jesus Cristo que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais...” (Papa Francisco)

O que significa `fronteiras geográficas e existenciais´? É preciso sair de nossas seguranças para adentrar no terreno do incerto; sair dos espaços onde nos sentimos fortes, para arriscar-nos a transitar por lugares novos e desconhecidos... A vida está cheia de possibilidades e surpresas; inumeráveis caminhos que podemos percorrer; desafios, encontros, aprendizagens, motivos para celebrar, lições para aprender...

periferia passa a ser terra privilegiada onde age o Espírito Santo. Jesus começou sua vida pública rompendo esquemas e modos de viver ditados pelo Templo. Podemos fazer-nos esta pergunta: qual a `inovação doEvangelho´? Que há de inovador, na vida de Jesus, que pode nos inspirar? 

paixão de Jesus pela vida, pelo Reino, pelas pessoas mais excluídas. Jesus inicia sua missão fora dos `espaços sagrados´ do Templo. Essa paixão se revela em cada passagem do Evangelho, em cada palavra, em cada gesto, em cada ação. Não há um indício sequer de dogma, doutrina, regras... Tudo seja em prol das pessoas, para seu bem e sua felicidade.

Nesse sentido, Mateus também situa, no início da vida pública de Jesus, o chamado dos quatro primeiros discípulos, mostrando Jesus e seus discípulos compartilhando a mesma missãoaliviar o sofrimento humano, com a certeza de que o Reino de Deus tinha chegado. 

Nesse entorno da Galileia está o futuro do Evangelho.



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